A construção do maior telescópio da Terra no outro lado da lua

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Os engenheiros da NASA estão estudando a viabilidade da construção de um enorme radiotelescópio na lua, com quilômetros de largura, que anulasse qualquer coisa que pudéssemos construir na Terra.

A construção do maior telescópio da Terra no outro lado da lua
Foto: (reprodução/(Vladimir Vustyansky)

O telescópio, que seria construído por robôs, assumiria a forma de uma enorme antena de malha de arame em forma de prato que ficaria suspenso em uma cratera de três quilômetros de largura no outro lado da lua.

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O Rádio Telescópio da Cratera Lunar forneceria uma perspectiva única sobre o universo inicial, embora provavelmente não seja construído por décadas, segundo o engenheiro de robótica da NASA, Saptarshi Bandyopadhyay, que está liderando o projeto.

O que a NASA pretende

“Todos nós queremos saber o que aconteceu. Como o universo evoluiu? O que aconteceu depois do Big Bang“? Bandyopadhyay disse ao programa da CBC, Quirks & Quarks.

Nos 14 bilhões de anos desde aquele evento, as ondas de luz daquela época se estenderam de pequenas frações de um milímetro para mais de 10 metros à medida que o universo se expandia. Agora são ondas de rádio extremamente longas e não podem ser vistas na Terra “porque a ionosfera a absorve”, disse Bandyopadhyay.

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“Por isso queremos ir para algum lugar longe [da Terra] para que possamos ter uma imagem do Big Bang e da evolução do universo”.  

O tamanho do telescópio apresenta desafios

O problema, porém, é que para capturar esses comprimentos de onda, esse telescópio não só precisa estar na lua, como também precisa ser muito grande, o que dificulta a sua construção.

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Existem radiotelescópios gigantes na Terra, que observam comprimentos de onda de rádio mais curtos que penetram na atmosfera. O telescópio Arecibo de 300 metros de largura em Porto Rico – recentemente demolido em um acidente catastrófico – ou o telescópio FAST de 500 metros de largura na China representam desafios significativos de engenharia.

Ainda de acordo com Bandyopadhyay, a implantação do radiotelescópio de cratera lunar seria feita por robôs rovers, que desdobrariam a enorme antena de rede de alumínio.

As barreiras da engenharia

Os radiotelescópios autônomos, auto-sustentáveis e em forma de disco só podem chegar a um determinado tamanho, com base na resistência dos materiais de que são feitos e na necessidade de resistir às cargas do vento. Para evitar estes problemas, os maiores radiotelescópios são incorporados às características naturais do terreno. Arecibo e FAST, por exemplo, foram construídos em poços naturais, em forma de disco.

Construir um tal telescópio na lua é, em certo sentido, mais fácil. A menor gravidade na lua significa que uma estrutura maior pode ser construída com materiais mais leves. Nenhuma atmosfera significa nenhuma tempestade de vento ou outros riscos ambientais terrestres, embora haja desafios devido às duras temperaturas da lua.  

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De acordo com Bandyopadhyay, a lua também não tem falta de estruturas de terreno com forma adequada na forma de crateras de impacto ubíquas.

“Estas crateras parecem ser lugares naturais para colocar este telescópio em forma de disco porque a cratera também parece uma tigela”.  

As buscas da NASA

Para encontrar um candidato a cratera, Bandyopadhyay e sua equipe pentearam por cima de fotos detalhadas tiradas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA e descobriram mais de 80.000 crateras adequadas no outro lado da lua.

A construção do maior telescópio da Terra no outro lado da lua
Foto: (reproduçaõ/internet)

Embora a localização proporcionasse vantagens, existem desafios únicos e significativos para a construção na lua, em particular as duras condições de trabalho e a dificuldade de transporte de materiais.  

A equipe estudou uma série de cenários de como um telescópio poderia ser construído e transportado para a lua. Aquele a que eles chegaram é inspirado pelo papel japonês dobrável, o origami, disse Bandyopadhyay.

“Origami é a arte de dobrar papel em desenhos menores e mais interessantes”. Mas no espaço, o origami é amplamente utilizado para levar estas grandes estruturas, como um prato grande de um quilômetro, e podemos literalmente dobrá-lo várias vezes e transformá-lo em uma estrutura bem pequena“, ele complementa.

O Rádio Telescópio da Cratera Lunar 

O Rádio Telescópio da Cratera Lunar seria sensível às frequências bloqueadas pela ionosfera terrestre, e também estaria protegido contra o ruído de rádio das transmissões terrestres, diz Bandyopadhyay.

A antena seria construída na Terra na forma de uma estrutura de rede grande, mas extremamente leve, feita de fio de alumínio condutivo. Ela seria cuidadosamente dobrada em um pacote que caberia dentro do cone do nariz de um grande foguete, possivelmente o Sistema de Lançamento Espacial que a NASA está atualmente desenvolvendo.

Uma vez lançada, a antena seria levada até a lua e aterrissaria no chão da cratera na qual seria instalada. Em seguida, ela precisaria ser implantada.  

Traduzido e editado por equipe: Isto é Interessante 

Fontes: CBC, Quirks & Quarks, publish.illinois.edu, NASA 

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